Semana agitada...
Segunda: comecei meu tratamento médico, mijei igual uma vaca, aliás, várias vacas. Á noite estava morta de fome, pois não havia nada em casa que eu poderia comer. Eu e Eike tivemos de ir ao self service e, finalmente comi uma carne, salada e frutas.
Terça: não precisei tomar o remédio, por isso as vacas me deixaram em paz, porém a comida era a mesma! Fui para a faculdade. Quase morri de fome, pois lá só tinha aquelas besteiras maravilhosas, resisti. Cheguei em casa comi pão light e queijo branco e, meu marido de sobremesa.
Quarta: as vacas voltaram!!! Cardápio: o mesmo. Á noite fui para a faculdade e, de lá fomos para uma festa
Ao voltar para Cubatão, caminhando pelas ruas, percebi um menino de uns 11 anos vendendo bananada(como gosto de bananada,principalmente com fome, não comprei) e, se aproximando dele dois bofes classe média, deixei-os para lá e prossegui com meus pensamentos, daqui a pouco, o mesmo menino passa por mim feito um foguete e desmaia nos meus pés. Fiquei louca, pois se visse iam achar que eu fiz algo com o pobre garoto. Abaixei-me e percebi que lhe faltava ar. Pedi para que ficasse calmo e tentasse respirar. Enquanto isso uma menina que catava papelão se aproximou e contou o que havia acontecido, perguntei se ele havia usado alguma droga, ela disse que ele não era “menor de rua” e sim trabalhador. O menino se recobrava. Levantei-o e perguntei os detalhes do ocorrido. Ofegante me disse que os dois caras babacas de classe média, roubaram seus míseros R$25,00 e tentaram estrangula-lo. O mais interessante da história é que ele queria dar parte na policia, pois se sentia violado. Acalmei-o, mas mesmo assim ele insistiu. Neste momento uma viatura da polícia parou adiante e, o pobre inocente, negro, pés, descalços, lágrimas nos olhos correu em direção aos ditos policiais. Eu e a menina grávida ficamos com medo de acontecer algo aquela criança e fomos correndo atrás, como ela estava grávida pedi que se escondesse atrás de uma coluna e observasse tudo atenciosamente. Me aproximei da viatura e, para meu espanto os mesmo babacas estavam próximos a viatura, tinham ódio no olhar, mas eu também tinha e não sabia o que faria se eles fizessem algo aquela pobre vítima.
Atônita e estarrecida, observei aquele criança frágil se tornar forte e, enfiar o dedo na cara dos safado e denunciá-los para a polícia, porém os BANDIDOS também eram da polícia e, pior matadores. Os ditos policias bandidos e os ditos policiais trabalhando ameaçaram colocar o menino na viatura, explodi e neste momento minha testemunha se aproximava e, como num filme de ação, a rua encheu de gente para ver o ocorrido. Corri e arranquei o menino da mão do policial. Assustados com minha reação os policiais bandidos ameaçaram me prender, mas como não tô loca, tinha meu esquema armado e naquele momento muitas testemunhas, disse que se me prendesse, com certeza quem ira preso seria ele por desrespeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente e, por algemar e constranger uma criança. Quem você é? Perguntou um dos bandidos a paisana. Sou Assistente Social, berrei!!
A menina que estava conosco grávida observava muda e atenta a tudo que acontecia. Eu me sentido a Doroth (aquela freira morta no Pará). Finalmente, depois de tanto esbravejar, abracei o menino, tirando-o das mãos dos BANDIDOS/POLICIAIS, fomos saindo. Minhas testemunha se juntou a nós e me contou que eles são matadores de “menor” e que fui muito corajosa.
Confiantes que tudo já tinha acabado, caminhávamos conversando, até que os meninos avistaram o carro dos palhaços nos seguindo. As crianças ficaram nervosas e, eu tentando achar uma saída, pensei rápido e entramos numa rua contramão à dos bandidos, que não nos acharam. Me despedi da menina e disse para que fosse para sua casa e levei o menino até o ponto de ônibus. Porém ele começou a chorar, pois sua mãe bateria nele senão conseguisse o dinheiro. Dei-lhe meus únicos R$5,00 e ele se foi, certo de que a mãe bateria nele.
Neste relato sem nomes as histórias se misturam, pois este é o país em que vivemos, ninguém respeita ninguém, quem tinha de defender, ataca e, quem tinha de ser preso vira vítima. Pior aconteceu numa cidade do Rio de Janeiro, que se diz a melhor em qualidade de vida...qualidade para quem?




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